As novas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros começam a atingir o mercado de trabalho. As indústrias madeireira, calçadista e de armamentos, que registram queda nas exportações, adotaram férias coletivas como primeira medida para conter custos.
O tarifaço incide principalmente sobre bens de manufatura e commodities agrícolas. Os Estados Unidos são o principal mercado de produtos manufaturados brasileiros, justamente dos setores que mais empregam.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, aponta risco de prejuízos irreversíveis. “Nossos produtos já enfrentam uma concorrência acirrada. O ônus adicional pode inviabilizar a entrada em um mercado tão importante”, disse. Segundo a CNI, os setores mais afetados são o metalúrgico, o de calçados e o de têxteis, que podem perder participação no mercado americano.
No agronegócio a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) calcula perdas milionárias para os produtores do interior paulista, Mato Grosso do Sul e Goiás, onde a produção de carne e grãos tem grande atratividade para o mercado exterior. Um estudo da confederação mostra que o tarifaço pode custar ao agronegócio brasileiro uma perda de até US$ 5,8 bilhões em receitas de exportação.
O presidente da FAESP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), Tirso Meirelles, demonstrou preocupação com o pacote de R$ 30 bilhões, anunciado pelo governo federal. Para ele, é essencial que o país redirecione para programas de segurança alimentar, como o da merenda escolar, os produtos perecíveis. A advogada tributarista Flavia Holanda Gaeta, demonstrou ceticismo quanto à eficácia das medidas iniciais do governo federal. “As medidas são, em sua maioria, inócuas e não atacam a raiz do problema. Precisamos de uma reforma tributária e uma política industrial que torne o país mais competitivo, independentemente de barreiras comerciais impostas por terceiros”, disse ela.