Aposentados da zona rural representam 67% das vítimas do esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Segundo inquérito da PF (Polícia Federal), os prejuízos para esses beneficiários somam R$ 2,87 bilhões. Os outros 33% das fraudes atingiram aposentados da área urbana, totalizando R$ 1,41 bilhão em descontos.
Segundo a PF, a distinção entre os 2 grupos é relevante por causa das dificuldades específicas enfrentadas por aposentados da zona rural, como o acesso limitado à internet, à mobilidade até agências do INSS e à prestação de serviços pelas entidades associativas.
A Controladoria Geral da União (CGU) identificou que os descontos atingiram pessoas em situação de vulnerabilidade social. A lista inclui moradores de áreas rurais, pessoas com deficiência, doenças graves, indígenas e analfabetos.
Os auditores da CGU realizaram entrevistas com beneficiários ou seus representantes em diversas regiões do interior do país para mapear a extensão das irregularidades. Segundo o relatório, idosos que moram na zona rural e com dificuldade de acesso à internet e locomoção eram o público-alvo da fraude.
“A própria fragilidade inerente ao perfil dos beneficiários, na sua grande maioria formada por idosos, com maior dificuldade de acesso a canais digitais, associada à deficiência dos instrumentos de controle do INSS, tornam esses beneficiários suscetíveis à atuação de terceiros agindo com o objetivo de obter, sem o devido esclarecimento aos beneficiários, a documentação relativa à filiação e à autorização para o desconto associativo”, diz trecho do relatório.