Chegamos em mais um ano eleitoral e durante o processo eletivo outra vez o Brasil enfrentará o dilema da Presidência da República. Em que pese o cenário internacional mais conturbado, não havendo grandes mudanças no horizonte, com a intervenção americana na Venezuela, nosso país caminha para viver em 2026 um reedição da disputa de 2022. Em um lado, o eterno candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, do outro, alguém com o sobrenome Bolsonaro.
Lula sempre foi maior que o PT e todas as lideranças do partido sabem disso. Não é atoa que a legenda nunca foi capaz de substituí-lo em qualquer momento de sua história. Sempre que o seu eterno candidato sai do cenário o partido enfrenta problemas graves, sejam eleitorais ou de articulação política. Sua candidatura a reeleição, por isso, é certa. Ainda que o presidente já mostre claros sinais de cansaço, pela idade, no posto que ocupa. Ao mesmo tempo Lula nunca quis no PT nenhuma liderança que rivalizasse com ele em carisma e poder. Como resultado os maiores nomes do partido hoje são absolutos (e minúsculos) coadjuvantes.
Na esfera de Jair Bolsonaro a análise não é diferente. O ex-presidente, embora preso, segue tentando influenciar as eleições nacionais. Consegue fazer isso por ser maior que seu próprio partido e pelo próprio campo que representa. No curto período que governou o país impediu a formação de lideranças que representassem uma “ameaça” a sua hegemonia. Suas escolhas sobre quais candidaturas deveria apoiar em qualquer nível eletivo sempre refletiram compromissos políticos pouco ideológicos ou vontade de subjugar sua militância a ele mesmo. É possível verificar isso nas eleições de Romário em 2022, de Ramagem no Rio de Janeiro em 2024 e na de Ricardo Nunes em São Paulo também em 2024.
Estrategicamente para o PT, a candidatura de Lula é excelente, já que o presidente possui fortes chances de se reeleger. Já no Partido Liberal (Partido Liberal), partido de Bolsonaro, e no seu campo político como um todo, a candidatura de alguém com o sobrenome do ex-presidente tem o poder de impulsionar deputados, senadores e governadores em estados que são avessos ao PT. Isso garantiria ao PL o controle de grandes bancadas na Câmara Federal e Senado, além do governo de estados importantes da federação.
Ou seja, as lideranças de Bolsonaro e Lula sobre seus campos políticos são incontestáveis. Só que o que é benéfico para ambos, tornou-se péssimo para o Brasil. Em consolidando-se este cenário, nossa nação irá mais uma vez para o processo eleitoral nacional sob o fantasma de alguém que está preso. Novamente irá para o processo eleitoral dividida sem achar nenhum caminho comum em qualquer nível. Novamente pode terminar o processo eleitoral ainda mais judicializado e fraturado. Por fim, pode sair novamente sair do processo eleitoral mais fraco e com um povo ainda mais desconfiado de suas instituições.
Por isso, pelo bem do país, este jornal acredita que tanto Lula quanto Bolsonaro deveriam sair de cena nas eleições de 2026. Ambos já deram todas as contribuições que poderiam dar ao Brasil. Ambos já dividiram demais a população brasileira em todos os níveis e ambos já prejudicaram a sociedade de nosso país no limite do aceitável. Tivessem espírito cívico, o que claramente não tem, sairiam de maneira voluntária da vida pública dando espaço para novas lideranças.
O Brasil precisa de um sopro de ar fresco na vida política. Será, na nossa opinião, insuportável mais uma eleição escutando os mesmos discursos de sempre desde tempos imemoriais. Em um lado, a mentira de que a vida do pobre melhorou e melhorará ainda mais e que quem discorda é contra a caridade e a justiça social. No outro, a meia verdade que o Brasil está caindo nas garras do narcocomunismo e que quem discorda é cúmplice.
Nosso país precisa (e com urgência) de novos líderes e novos discursos que sejam capazes de unir a população. Níveis mais altos de discussão do que o da acusação rasa, simples e mentirosa. Somos uma sociedade que tem problemas sérios e profundos em todas as áreas. Não dá para continuar negociando com o abismo institucional, cultural e econômico o tempo inteiro afim de proteger um clubismo partidário e particular de políticos. Tentar fazer isso novamente é o mesmo que se jogar dele.











