Brasil: Mais de 50 milhões de brasileiros vivem sob o domínio do crime 

Brasil: Mais de 50 milhões de brasileiros vivem sob o domínio do crime 

Amplas extensões do território nacional, principalmente nas grandes cidades, dominadas por grupos criminosos armados. Cenas de guerra em confrontos entre bandidos e polícia. Execuções cinematográficas de autoridades e criminosos circulando em público e à luz do dia. Infiltração na política e na economia formal, com lavagem de bilhões de dólares no mercado financeiro do país. Autoridades zonzas e nenhuma luz no final do túnel. Afinal, o Brasil já pode ser considerado um narcoestado?

Enquanto especialistas debatem o assunto e as autoridades batem cabeça em busca de soluções, independentemente do nome que se dê ao problema, o crime organizado avança país afora. Pesquisas recentes mostram a extensão da percepção do brasileiro sobre o problema, e mostram que, se não agir rápido para uma curva de reversão, em pouco tempo talvez esse caminho não tenha mais volta.

Conforme o estudo “Governança criminal na América Latina: prevalência e correlações”, da Universidade de Cambridge, uma população entre 50,6 milhões a 61,6 milhões de pessoas no Brasil vive em locais que possuem regras diferentes das vigentes para os demais cidadãos. São territórios onde prevalece também (ou apenas) o que mandam as facções criminosas.

Trata-se de algo entre 25% e 30% da população nacional, de acordo com o último Censo do IBGE. Outro levantamento recente sobre o problema, conduzido pelo instituto de pesquisas Datafolha, divulgado em outubro do ano passado, traz um número um pouco menos catastrófico, mas não por isso menos alarmante. Ao menos 28 milhões de brasileiros vivem em territórios sob jugo de facções criminosas ou milícias no país com um crescimento de cinco pontos percentuais em um ano.

A percepção de que a criminalidade organizada tomou conta de parte relevante do cotidiano nas cidades brasileiras, mostrada pelo Datafolha e pelos pesquisadores de Cambridge, é confirmada por diversos outros levantamentos. Confirmando a série histórica dos últimos dois anos, pesquisa Quaest divulgada em novembro revela que justamente a violência continua sendo a maior preocupação dos cidadãos do país.

Fonte: Gazeta do Povo

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