Estudos científicos recentes indicam que a obesidade na infância, adolescência e juventude pode ter impactos que vão além das consequências físicas tradicionalmente associadas ao excesso de peso. Pesquisas apontam efeitos silenciosos e de longo prazo sobre a saúde neurológica, com possíveis alterações em áreas do cérebro ligadas à memória, à atenção e ao controle das emoções.
Um estudo conduzido pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, acompanhou jovens adultos entre 20 e 30 anos e identificou que aqueles com obesidade apresentavam no sangue um perfil bioquímico antes observado principalmente em idosos com perda de memória. Entre os achados estão sinais de estresse hepático, inflamação crônica e indícios precoces de dano neuronal.
A pesquisa também detectou níveis reduzidos de colina, nutriente essencial para o funcionamento do fígado, o controle da inflamação e a saúde cerebral. A baixa concentração dessa substância foi associada ao aumento da proteína neurofilamento de cadeia leve (NfL), biomarcador relacionado a danos nos neurônios e geralmente observado em pessoas mais velhas com comprometimento cognitivo.
Os pesquisadores destacam que o estudo não estabelece uma relação direta de causa e efeito, mas sugere que a obesidade pode ativar mecanismos biológicos associados ao envelhecimento cerebral décadas antes do surgimento de sintomas clínicos. O cenário identificado envolve estresse metabólico, inflamação e deficiência de nutrientes, com possíveis repercussões sobre o cérebro.
Especialistas apontam ainda que hábitos comuns entre crianças e adolescentes, como sedentarismo, uso excessivo de telas, sono irregular e alimentação inadequada, contribuem tanto para o ganho de peso quanto para alterações no funcionamento cerebral. Esses comportamentos podem fragmentar a atenção, interferir no desenvolvimento cognitivo e agravar riscos futuros.
As evidências reforçam a importância da prevenção e da promoção da saúde metabólica desde cedo. Segundo os pesquisadores, escolhas feitas ao longo da infância e da juventude influenciam não apenas a saúde física, mas também a preservação da função cerebral ao longo da vida adulta e na velhice.











