Médicos e enfermeiros das Clínicas da Família da Prefeitura do Rio de Janeiro decidiram entrar em greve a partir de hoje (02/02). A decisão foi tomada em assembleias promovidas pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED-RJ) e pelo Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (SINDENF-RJ). O movimento atinge a Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), e é motivado por denúncias de descumprimento de acordos e precarização das condições de trabalho.
Segundo os sindicatos, a gestão municipal não cumpriu compromisso firmado após mobilizações anteriores que previa o pagamento da chamada Variável 3, adicional de desempenho atrasado desde 2023, e uma recomposição salarial parcial de 5%. As entidades também relatam falhas no abastecimento de insumos, equipes incompletas e ausência de medidas para garantir segurança em unidades situadas em áreas de conflito.
Durante a greve, as clínicas funcionarão parcialmente, com 50% das equipes em atividade. Serão mantidos atendimentos considerados prioritários, como pré-natal, puericultura, acompanhamento de tuberculose e hanseníase, tratamento oncológico e casos de maior gravidade. Consultas eletivas, atividades coletivas, visitas domiciliares e procedimentos não urgentes serão suspensos. A rede municipal conta com mais de 200 Clínicas da Família.
Os profissionais também denunciam sobrecarga, com equipes responsáveis por mais de 4 mil pacientes, apesar de a Política Nacional de Atenção Básica recomendar limite de 2,5 mil pessoas por equipe. As categorias cobram um plano estruturante para a APS, com recomposição das equipes multiprofissionais, regularização do fornecimento de medicamentos e protocolos de enfrentamento à violência.
Um ato conjunto está marcado para ocorrer hoje em frente ao Super Centro Carioca de Especialidades, em Benfica. Os sindicatos relatam ainda casos de assédio, ameaças e demissões após o anúncio da paralisação.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou reconhecer a legitimidade do diálogo, mas criticou a interrupção de atendimentos, declarou que os salários estão em dia e informou que adotará medidas judiciais contra a greve. A pasta também destacou que os médicos de família do município têm uma das melhores remunerações da região metropolitana e que houve ampliação do número de unidades e equipes.











