O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra a meningite do tipo B ao Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças menores de um ano. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, mantém a imunização contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica restrita à rede privada, onde o esquema completo pode superar o custo de R$ 2 mil.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) baseou o parecer em fatores econômicos e técnicos. Segundo a pasta, o custo para oferecer o imunizante ultrapassaria R$ 5,5 bilhões em cinco anos — valor que representa quase 70% do orçamento anual do Programa Nacional de Imunizações (PNI), hoje em R$ 8 bilhões para mais de 30 vacinas.
Além do impacto orçamentário, o ministério citou incertezas sobre a duração da proteção e o impacto da vacina na redução da circulação da bactéria. A estimativa é que o quantitativo disponível no mercado atenderia apenas 15% da demanda nacional. A pasta ressaltou que a decisão pode ser revista caso surjam novas evidências científicas ou redução de preços pelo fabricante.
Em 2025, o Brasil registrou 2.357 casos de meningite bacteriana, resultando em 454 mortes. O sorogrupo B foi responsável por 138 desses casos e 21 óbitos, sendo o tipo mais prevalente entre crianças de 0 a 4 anos. Sem tratamento, a letalidade da doença chega a 50%.
Dados oficiais indicam que a letalidade média da doença meningocócica no Brasil é de 24%, índice superior à média mundial de 10%. Entre os sobreviventes, de 10% a 20% apresentam sequelas graves, como surdez, amputações ou danos neurológicos permanentes.











