Um estudo conduzido por pesquisadores de quatro universidades norte-americanas revela que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas no Brasil vivem sob a chamada “governança criminal”. O contingente representa 26% da população nacional e coloca o país isolado na liderança regional do ranking de poder paralelo exercido por organizações criminosas.
Publicado pela Cambridge University Press na revista Perspectives on Politics, o levantamento “Governança Criminal na América Latina: Prevalência e Correlatos” indica que o Brasil supera países como México, Colômbia e El Salvador no domínio exercido por facções sobre comunidades. A população brasileira sob este controle é superior à população total de nações como a Argentina.
O conceito de governança criminal descreve territórios onde grupos criminosos impõem regras próprias, como toques de recolher, proibição de acionamento da polícia, cobrança de taxas de proteção e controle sobre fornecedores de produtos e serviços. O domínio afeta a rotina, a segurança, os processos eleitorais e o acesso a serviços públicos em periferias, regiões metropolitanas e municípios de pequeno porte.
Em toda a América Latina, estima-se que entre 77 e 101 milhões de habitantes sofram esse tipo de influência. O Brasil é responsável por mais da metade desse total regional.
Dados de inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias, do Ministério da Justiça, corroboram o cenário. Relatório do final de 2024 aponta a existência de pelo menos 88 facções criminosas no país. O Nordeste lidera o mapeamento com 46 organizações identificadas entre 2022 e 2024, seguido pelo Sul (24), Sudeste (18), Norte (14) e Centro-Oeste (10). Grupos como o PCC e o Comando Vermelho (CV) possuem atuação nacional e internacional.










