O programa Move Brasil, criado pelo governo federal para renovar a frota de taxistas e motoristas de aplicativo com uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões, deve impulsionar principalmente montadoras chinesas instaladas no país, como BYD, GWM e Geely. Embora contemple veículos flex, as regras do programa, o perfil dos modelos elegíveis e o momento do mercado favorecem essas fabricantes, que concentram grande parte dos elétricos e híbridos enquadrados no limite de R$ 150 mil estabelecido pelo governo Lula e tinham elevados estoques no lançamento da iniciativa.
Pelas regras do Move Brasil, o financiamento cobre até 100% do valor do veículo, com carência de seis meses e juros limitados a 12,6% ao ano — menos da metade da taxa média de mercado. O regulamento não restringe carros importados nem exige produção nacional, permitindo o financiamento de veículos importados prontos ou montados no Brasil via kits trazidos do exterior (CKD e SKD).
Contudo, parte da indústria nacional demonstra preocupação. A ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) defende que políticas públicas priorizem a produção local, queixa reforçada após a Camex (Câmara de Comércio Exterior) prorrogar a alíquota zero para kits CKD e SKD. A medida beneficia montadoras em instalação, como a BYD, em Camaçari (BA), que passou de 260 emplacamentos em 2022 para 21.704 em maio de 2026, atingindo 10,11% de participação de mercado. No mesmo mês, elétricos e híbridos representaram 19,5% dos emplacamentos de automóveis leves.











