O mercado de combustíveis do Rio de Janeiro tem sido alvo de fiscalização intensa após a Secretaria Estadual de Fazenda identificar que 95,23% dos postos cadastrados estão em situação irregular por falhas ou ausência no envio de dados fiscais obrigatórios. Dos 2.205 estabelecimentos do estado, 2.100 foram notificados no último mês.
De acordo com o órgão, a omissão das informações prejudica a fiscalização e dificulta o combate à sonegação, lavagem de dinheiro e fraudes tributárias que financiam o crime organizado. O secretário de Fazenda, Guilherme Mercês, ressaltou que os dados de movimentação são vitais para rastrear operações suspeitas.
A fiscalização sobre o transporte de combustíveis também cresceu. Autos de infração aplicados a caminhões irregulares somaram R$ 1,78 milhão no último mês — alta de 482% ante o mesmo período do ano anterior, quando totalizaram R$ 306 mil. O avanço é atribuído à reestruturação das barreiras fiscais, focando veículos sem nota fiscal.
Paralelamente, investigações apuram o uso de postos e lojas de conveniência para lavar recursos ilícitos via faturamento oficial. O Ministério da Justiça estima que mais de mil postos tenham ligação com facções criminosas e anunciou a criação de uma força-tarefa para combater as fraudes.
Ações policiais recentes expuseram esquemas no setor. Uma operação da Polícia Federal investiga movimentações de R$ 7 bilhões envolvendo o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e endereços ligados ao ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim. Já o deputado estadual Thiago Rangel é apurado por fraude da “bomba baixa”, com ganhos estimados em R$ 1,6 milhão por mês.
Entidades do setor declararam apoio às medidas. O Instituto Combustível Legal e o Sindicato dos Revendedores defenderam a integração e a regularização dos postos. O Sindcomb também apoiou as ações, mas considerou curto o prazo para envio dos dados.











