Os choques climáticos causados pelo fenômeno El Niño podem encarecer ainda mais os alimentos no Brasil, alcançando o impacto máximo em até seis meses após o início dos eventos. A conclusão é de um modelo matemático desenvolvido pelo Rabobank com base no histórico do fenômeno no país nas últimas décadas.
A projeção correlacionou a variação histórica da inflação da alimentação no domicílio com o Índice Oceânico Niño (ONI), indicador responsável por medir a intensidade do aquecimento das águas do Oceano Pacífico. O levantamento indica que a intensidade do El Niño e a categoria dos produtos determinarão a magnitude da alta dos preços.
De acordo com o relatório, a velocidade do repasse do choque climático ao consumidor é definida pela estrutura de produção e de processamento de cada item:
Produtos industrializados (efeito suave) – Alimentos processados absorvem melhor as oscilações climáticas, uma vez que o valor final ao consumidor abrange outros custos fixos, como transporte, embalagem, industrialização e margens de comercialização.
Produtos in natura (efeito imediato) – Hortaliças e carnes sentem o impacto rapidamente devido aos ciclos curtos de produção. Perdas de safra decorrentes de secas ou excesso de chuvas reduzem a oferta quase instantaneamente.
Produtos semi-elaborados (efeito gradual) – Alimentos como arroz e feijão, que passam por beneficiamento simples, sofrem reajustes de forma mais lenta, impulsionados pela elevação no custo dos insumos agrícolas.











