Pesquisadores registraram os primeiros casos documentados de melanismo em cervos-do-pantanal no Pantanal de Mato Grosso do Sul e no bioma Cerrado, na divisa entre Bahia e Minas Gerais. A mutação genética, que concede uma pelagem escura aos animais conhecidos localmente como “veados-pretos”, nunca havia sido confirmada pela ciência em mais de quatro décadas de estudos no Pantanal.
O primeiro registro oficial ocorreu em fevereiro de 2021, na fazenda Caiman Pantanal, em Miranda (MS), ao fotografarem uma fêmea adulta melânica. Anteriormente, o Pantanal abrigava apenas registros de mutações como albinismo e leucismo. Apesar da ausência de confirmações científicas anteriores, relatos antigos de moradores locais já indicavam a presença desses animais na região da Baía do Cervo Preto, próxima à Estação Ecológica de Taiamã (MT).
Já no Cerrado, onde a espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção, a frequência dos avistamentos surpreendeu os pesquisadores. Entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, 66,7% das observações diretas da espécie na região envolveram exemplares melânicos, incluindo ao menos dois machos adultos e um jovem.
A principal hipótese para a alta prevalência no Cerrado aponta para o isolamento populacional no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, provocado pelo desmatamento e pela pressão de caça no entorno. Esse confinamento favorece a endogamia e a expressão de genes recessivos.
Apesar da relevância biológica do achado, a alteração de pigmentação traz riscos à sobrevivência dos indivíduos. Classificado como Vulnerável no Brasil, o cervo-do-pantanal enfrenta ameaças como incêndios, caça ilegal e perda de habitat. No Cerrado, o avanço da agricultura irrigada por pivôs centrais agrava a situação ao secar áreas úmidas essenciais para a espécie.










