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Argentina deu show: Eleição sem interferência do Judiciário

Argentina deu show: Eleição sem interferência do Judiciário

Matéria publicada originalmente na Coluna Magnavita – por Cláudio Magnavita

As eleições argentinas serviram de referência, na comparação com o que ocorreu no Brasil em 2022. Não poderia ter elementos mais democráticos. Dois candidatos de extremos diferentes: um de esquerda e outro de direita. Não houve censura provocada pelo judiciário. Os eleitores e apoiadores da direita puderam se manifestar a favor do seu candidato. A justiça eleitoral não virou agente eleitoral e não perseguiu um lado em detrimento do outro.

A Suprema Corte argentina assistiu o pleito como espectador e não virou protagonista de um processo no qual os integrantes foram os partidos, os candidatos, os eleitores e a soberania das urnas. O candidato vencedor usou motosserra em comícios, disse que iria prender políticos corruptos e outras polêmicas e não foi censurado, punido, multado ou nem processado. Foi um show de democracia. Quem viveu 2022 no Brasil ficou com inveja da democracia dos hermanos.

O que teria ocorrido no Brasil com o modelo democrático argentino e sem interferência do judiciário? A maior lição que esta eleição nos deu é a existência de um pleito sem censura. O povo pode escolher e eleger quem quis. Foi democracia pura. Vale a reflexão.

Já a derrota de Sérgio Massa foi uma ducha fria no núcleo político do governo brasileiro. O crescimento no primeiro turno deixou a turma do PT animada e os marqueteiros petistas empenhados em não permitir o ressurgimento da direita no quintal argentino. A vitória de Javier Milei com mais de 12 pontos de diferença foi um recado duro para o futuro da esquerda no Brasil. A campanha do medo não funcionou.

O ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para parabenizar nominalmente Javier Milei e afirmar: “a esperança volta a brilhar na América do Sul“. Ele escreveu ainda: “Que estes bons ventos alcancem os Estados Unidos e o Brasil, para que a honestidade, o progresso e a grande verdade voltem para todos nós“.

Para o Bolsonarismo, a vitória de Javier Milei foi comemorada. Fábio Wajngarten, fiel escudeiro do ex-presidente, usou as redes sociais para postar: “Estamos voltando!“. Wajngarten complementa: “Ensinamentos das eleições da Argentina: Não vence quem tem mais dinheiro. Não vence o queridinho do establishment. Vence quem fala o que a grande massa popular quer ouvir; vence quem é autêntico, quem tem paixão, quem vai para cima; quer mudar a política vá votar. Da maior abstenção no 1º turno para grande participação no 2ºturno“.

Quem ficou zapeando as TVs a cabo pôde sentir as diferenças de foco na cobertura das eleições argentinas. A GloboNews tentando minimizar a vitória e até questionando quanto tempo durará este entusiasmo do eleitor; e a Jovem Pan mostrando o crescimento da direta. Lados opostos de um mesmo momento.

O primeiro discurso de Javier Melei, no hotel El Conquistador, na Avenida Córdoba, respeitou a liturgia do cargo e falou como estadista. Pronunciamento lido. Ressaltou a importância do apoio do ex-presidente Maurício Macri e da candidata derrotada no primeiro turno Patrícia Bullrich. No discurso na rua, repetiu o mesmo tom. Surpreendeu nas urnas e nos pronunciamentos.

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