A economia brasileira apresentou resultados piores do que os projetados pelo governo em 67,5% dos Orçamentos da última década (2017 a 2026). É o que aponta levantamento com base nas estimativas do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o PIB (Produto Interno Bruto), inflação, câmbio e taxa básica de juros.
O dólar médio ficou acima da projeção oficial em 8 dos 10 anos analisados. O IPCA superou a estimativa em 7 ocasiões, enquanto a taxa Selic e o PIB decepcionaram as expectativas em 6 anos cada — no caso do PIB, refletindo um crescimento inferior ao estimado. Por outro lado, 32,5% dos casos registraram desempenho melhor que o previsto.
As divergências afetam diretamente nas contas públicas. Um PIB menor reduz a arrecadação e dificulta metas fiscais, e uma Selic mais alta eleva os gastos da União com juros. Para o economista José Roberto Afonso, governos historicamente projetavam cenários otimistas para evitar reações do mercado e conter alterações parlamentares, prática que perdeu força com o aumento das emendas obrigatórias.
As projeções do PLOA para 2027 continuam divergindo do Boletim Focus do Banco Central, que aponta perspectiva de inflação maior e crescimento menor. O economista Gabriel Leal de Barros afirma que o uso de premissas improváveis explica a frustração recorrente. Caio Megale, economista-chefe da XP, avalia que os parâmetros de 2027 são adequados, mas vê risco de atividade fraca e impacto no déficit público.










