No fim de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou o plantio de cannabis sativa para fins medicinais no Brasil. A medida cumpre uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o cultivo e a comercialização da planta. Especialistas da área médica, no entanto, vêm manifestando preocupações sobre os impactos da decisão.
Um estudo publicado em janeiro deste ano entretanto, analisou pesquisas com mais de 2,1 mil pacientes e concluiu que os benefícios do uso medicinal da cannabis são inconsistentes. A revisão apontou ainda a ocorrência frequente de efeitos colaterais e destacou que a base de evidências científicas favoráveis ao uso da planta é considerada limitada, em razão do baixo número de ensaios clínicos de alta qualidade.
Uma das indicações mais citadas para derivados da maconha é o tratamento da dor neuropática crônica. Nos estudos avaliados, produtos com proporções semelhantes de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC) apresentaram resultados equivalentes aos de medicamentos convencionais.
Uma revisão publicada no fim de 2025 no Journal of the American Medical Association concluiu que as evidências atuais não sustentam o uso de derivados da maconha para a maioria das condições clínicas. O estudo recomenda que profissionais de saúde discutam alternativas terapêuticas e alertem pacientes sobre riscos associados ao uso. Em 2019 o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgaram documento alertando para os riscos do uso terapêutico da cannabis.
O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor da Universidade Federal de São Paulo, afirmou que a regulamentação pode contribuir para a ampliação do consumo da droga. Ele também citou revisões recentes de políticas públicas sobre maconha em países como Holanda e Estados Unidos, que adotaram restrições após mudanças anteriores de flexibilização.











