Uma pesquisa financiada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro resultou no desenvolvimento de um dispositivo capaz de reduzir tremores em pacientes com Doença de Parkinson e Tremor Essencial. A tecnologia, desenvolvida por pesquisadores da Coppe/UFRJ, utiliza estimulação elétrica aplicada sobre a pele, eliminando a necessidade de procedimentos cirúrgicos.
O equipamento, batizado de Mestim Eléctrico, já está em fase de testes clínicos no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Diferente de aparelhos convencionais que utilizam ondas quadradas, o protótipo fluminense utiliza ondas senoidais, permitindo uma ativação mais seletiva das fibras nervosas. O sistema é controlado via aplicativo de celular, possibilitando ajustes personalizados de frequência e amplitude para cada paciente.
O projeto integra tecnologias de Internet das Coisas (IoT) e telemedicina. Os dados de cada sessão são enviados automaticamente para um banco de dados seguro, permitindo que a equipe médica acompanhe a evolução do quadro remotamente e ajuste o tratamento de forma personalizada. Para Sebastião Félix dos Santos, de 66 anos e paciente do programa há oito anos, o uso do dispositivo trouxe melhorias significativas nas atividades diárias.
Com foco no impacto social, a equipe coordenada pelo professor Carlos Júlio Criollo planeja produzir dez novos protótipos para unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A rede de pesquisa envolve sete laboratórios da UFRJ, além de parcerias com a Uerj e instituições internacionais.
A presidente da Faperj, Caroline Alves, reforça que a iniciativa faz parte de um ciclo estratégico de fomento à ciência. Recentemente, a fundação lançou editais que somam R$ 60 milhões para pesquisas em áreas prioritárias, como envelhecimento saudável, doenças crônicas e pesquisa clínica em hospitais universitários.










