Resultados eleitorais e pesquisas de opinião em diferentes países indicam que parcelas das gerações mais novas estão se inclinando à direita, revertendo décadas de associação entre juventude e esquerda. Nos Estados Unidos, o Partido Republicano alcançou 39% do eleitorado entre 18 e 29 anos nas eleições presidenciais de 2024. Na Alemanha, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) foi o mais votado entre os jovens nas eleições de 2025. Na França, Marine Le Pen obteve seus melhores resultados proporcionais entre eleitores abaixo de 35 anos. Já na Colômbia, Abelardo de la Espriella registrou forte apoio jovem urbano em sua vitória presidencial em junho de 2026.
No Brasil, levantamentos apontam tendência semelhante. Uma pesquisa da AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, registrou desaprovação de 72% ao governo Lula entre jovens de 16 a 24 anos — o maior índice entre todas as faixas etárias —, comparado a 53% na população geral. Adicionalmente, um estudo da Quaest para o instituto More in Common, divulgado em junho de 2026, mostrou que a maioria dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos se identifica como conservadora. Entre os homens dessa faixa etária, 42% se identificam com ideias associadas ao bolsonarismo, percentual que diminui progressivamente nas faixas mais velhas.
Analistas políticos avaliam que a identificação política e a posição em pautas de costumes não caminham juntas, o que explica o cenário. O jovem conservador brasileiro rejeita o progressismo como projeto político, mas não é necessariamente mais tradicional do que gerações anteriores em seu comportamento cotidiano.
O recuo do progressismo também atinge o ambiente corporativo nos Estados Unidos. Sob pressão política e jurídica, empresas como BlackRock, Amazon e Meta reestruturaram ou suavizaram suas metas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).











