Mundo: Prefeito que fez uma obra que ninguém queria salvou sua cidade da destruição

Uma decisão política tomada nas décadas de 1970 e 1980 salvou a vila japonesa de Fudai da destruição provocada pelo tsunami de 2011. Alvo de críticas e ridicularizada por mais de 12 anos, a construção de uma comporta e de um muro de contenção de 15,5 metros (51 pés) idealizada pelo ex-prefeito Kotoku Wamura impediu que as ondas decorrentes de um terremoto de magnitude 9,1 destruíssem a localidade.

Wamura, que governou Fudai por mais de 40 anos e foi eleito para dez mandatos consecutivos, baseou o projeto em experiências pessoais e relatos históricos. Nascido em 1909, ele testemunhou o tsunami de 1933, que atingiu 28,7 metros de altura, e estudou o desastre de 1896. Ambos os eventos resultaram na morte de centenas de moradores locais.

A primeira etapa do plano de proteção foi concluída em 1967 com a construção de um paredão de 15,5 metros no porto de pesca. Em 1972, teve início a obra da comporta na enseada residencial. Autoridades locais propuseram estruturas menores, que variavam de 6 a 10,5 metros, mas o então prefeito rejeitou as alternativas por considerar que apenas a altura de 15,5 metros garantiria a segurança.

A obra da comporta custou ¥ 3,56 bilhões (cerca de US$ 30 milhões em 2011) e foi concluída em 1984. Wamura aposentou-se da política em 1987 e faleceu em 1998, sem ver a estrutura ser testada.

Em 2011, o tsunami gerado pelo tremor atingiu a costa japonesa e destruiu diversas cidades, além de provocar danos no porto de Fudai. No entanto, após o acionamento dos painéis de aço da comporta — incluindo o fechamento manual de uma das partes —, a área residencial da vila permaneceu intacta. Uma única morte foi registrada, de um morador que se deslocou até o porto, fora da área protegida. Após o desastre, a população local passou a prestar homenagens no túmulo do ex-prefeito.

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