Projeções climáticas recentes indicam a possibilidade de formação de um “super El Niño” ainda em 2026, com potencial para se tornar o evento mais intenso registrado no Oceano Pacífico em 140 anos. Dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), analisados por especialistas como o professor Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, sugerem que o fenômeno pode levar o planeta a registrar recordes de calor até 2027.
O chamado super El Niño ocorre quando o aquecimento das águas do Pacífico equatorial supera os dois graus Celsius. Essa condição, considerada rara e ocorrendo em média a cada 10 ou 15 anos, provoca respostas atmosféricas mais severas e persistentes do que um episódio convencional.
Se confirmado, o fenômeno deve desencadear efeitos extremos em escala global. As previsões incluem secas severas no norte do Brasil, América Central, Austrália e Indonésia. Em contrapartida, países como Peru e Equador enfrentam riscos de chuvas torrenciais e enchentes.
A análise aponta ainda para um aumento na frequência de ondas de calor na América do Sul, sul dos Estados Unidos, Europa, Índia e Oriente Médio. No setor marítimo, projeta-se maior atividade de ciclones no Pacífico e redução de furacões no Atlântico.
O setor agrícola deve enfrentar riscos elevados devido à alteração no regime de chuvas, com possíveis quebras de safra na Índia e em regiões tropicais, pressionando também o abastecimento de água. Devido à grande liberação de calor do oceano para a atmosfera, 2027 é apontado como o ano com maior potencial para novos recordes de temperatura média global.
Especialistas ressaltam, contudo, que o contexto atual de aquecimento global traz incertezas sobre a intensidade final, uma vez que cada evento de El Niño apresenta características únicas.











