Hoje, dia 27 de janeiro, é o Dia Mundial Dedicado à Memória do holocausto. A memória do Holocausto não pertence apenas ao passado; ela se projeta como um alerta permanente para o presente e o futuro. O slogan “O nunca mais é agora” não é um recurso retórico, mas uma constatação histórica: os processos que levaram ao genocídio de seis milhões de judeus não começaram com campos de extermínio, mas com discursos de ódio, normalização do antissemitismo, desumanização e indiferença social.
No mundo atual, observa-se o ressurgimento de narrativas antissemitas em diferentes espectros — políticos, ideológicos e culturais — muitas vezes disfarçadas de críticas genéricas, relativizações históricas ou negação do direito à existência do povo judeu. Esse fenômeno exige atenção, pois a história demonstra que o silêncio e a neutralidade moral diante do ódio não são posições neutras, mas permissivas.
Relembrar o Holocausto, portanto, não é apenas um ato de memória ou homenagem às vítimas, mas um compromisso ético com a vigilância democrática, o combate à intolerância e a defesa da dignidade humana. O “nunca mais” só se sustenta quando reconhecemos que seus sinais não pertencem apenas aos livros de história, mas podem — e devem — ser identificados e enfrentados no presente.
Mysael de Castro – Presidente da Congregação Judaica de Petrópolis











