Opinião: Apertem os cintos, o Prefeito sumiu!

Opinião: Apertem os cintos, o Prefeito sumiu!

Na cidade de Porciúncula, já não se discute apenas buracos, lama, lixo ou falta de remédios. O assunto principal virou outro: o sumiço do prefeito. Um desaparecimento tão visível que deixou de ser boato e passou a ser sensação coletiva, mistura de indignação com ironia amarga.

O prefeito não está. Não anda pela cidade, não conversa com o povo, não encara reclamações, não explica nada. Desde o início do mandato, escolheu o isolamento como método de governo. Recolheu-se, fechou-se em gabinete, cercou-se de barreiras e passou a tratar a cidade como algo distante, melhor observada de trás de portas bem protegidas, longe do contato direto com a realidade.

No palanque, havia resposta para tudo. Promessas, coragem e soluções sobravam. Depois da eleição, veio o silêncio. Quando os problemas apareceram de verdade, o prefeito desapareceu. Só que na política, desaparecer não é acaso, é uma escolha.

A psicologia social ajuda a entender. Quem se sente inseguro evita o confronto. Quem teme a crítica prefere o isolamento. Criam-se escudos, alguns simbólicos, outros bem concretos, para não ouvir, não ver e não sentir. Não por estratégia, mas por incapacidade de lidar com a pressão. Isso não é prudência. É fraqueza.

O distanciamento também é humano. O prefeito já vivia fora da cidade antes de assumir. Passou muito tempo longe, trabalhando e morando em outros lugares. Quem vive distante perde vínculo. Quem perde vínculo, perde empatia. Não sente o buraco porque não passa por ele. Não sofre com a falta de remédio porque não depende dele. Observa a cidade de cima, às vezes literalmente, como quem sobrevoa um problema em vez de pisar nele.

Enquanto o prefeito se isola, quem aparece são seus defensores de cargo e contrato. Uma patrulha constante tentando calar críticas, atacar moradores e intimidar servidores. Isso não transmite força. Transmite medo. Governo seguro não precisa de vigilância digital nem de ataque coordenado. Governo frágil se esconde atrás deles.

Servidores relatam perseguição por falar o óbvio. Moradores são atacados por cobrar o básico. O resultado é previsível – rejeição crescente. Quanto mais se tenta calar, mais o descontentamento aparece. O povo entende quando é tratado como problema e não como prioridade.

Nas ruas, a realidade dispensa discurso. Lixo espalhado, sacos rasgados, animais revirando restos como se a cidade tivesse sido deixada à própria sorte. Quando até porco anda solto no meio da rua, a mensagem de falta de comando é clara. Falta presença. Falta liderança.

Quando o prefeito surge, é rápido, distante, quase sempre sem contato com o chão da cidade. Observa, mas não pisa. Vê, mas não vive. Passa, mas não fica. Quem fica é o povo, lidando diariamente com os problemas.

O sumiço do prefeito não é detalhe. É o retrato da gestão. Um governo fechado, distante, indiferente e que não transmite segurança. Transmite abandono. Transmite covardia política.

Em Porciúncula, o maior problema não é apenas o que está quebrado nas ruas. É a ausência de quem deveria liderar. Quando o prefeito some, a cidade sente e sente porque percebe, com clareza, que foi deixada sozinha.

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