Em 1988, o Rio de Janeiro protagonizou um dos maiores protestos eleitorais da história do país. O Macaco Tião, um chimpanzé do antigo Jardim Zoológico da cidade, recebeu cerca de 400 mil votos para prefeito. Se a candidatura fosse válida, ele teria terminado a disputa em terceiro lugar, à frente de diversos candidatos tradicionais.
Nascido em cativeiro em 1963, Tião era conhecido pelo carisma, mas também pelo temperamento explosivo. Na década de 1980, passou a jogar restos de comida, lama e fezes em visitantes, especialmente autoridades. Entre os atingidos estiveram o então prefeito Júlio Coutinho e Marcello Alencar, que venceria a eleição municipal anos mais tarde.
Em 1988, a extinta revista de humor Casseta Popular, com apoio do então deputado Fernando Gabeira (PV), lançou Tião à Prefeitura como protesto contra a classe política. Na época, a votação era por cédula de papel, permitindo escrever qualquer nome. A campanha teve santinhos, camisetas, lançamento no Circo Voador e slogans como “Tudo pela evolução. Vote Macaco Tião” e “Tião, Tião, o candidato do povão”.
Por não ser registrado, os votos foram anulados pela Justiça Eleitoral. Ainda assim, Tião entrou para o Guinness World Records como o chimpanzé mais votado do mundo. Esse tipo de voto deixou de ser possível com a implantação das urnas eletrônicas, iniciada em 1996 e consolidada em todo o território nacional no ano de 2000.
Tião morreu em 23 de dezembro de 1996, aos 33 anos, por diabetes. O município decretou três dias de luto oficial e o fato foi destaque no jornal francês Le Monde.











