O endividamento das famílias brasileiras alcançou um patamar histórico em março de 2026, atingindo 80,4% dos lares, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC (Confederação Nacional do Comércio). É o maior volume desde o início da série, iniciada em 2010, e revela que quase um terço da renda familiar (29,6%) está comprometido com o pagamento de débitos.
Dados da Serasa reforçam o cenário crítico, apontando que 81,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, o que representa quase metade da população adulta do país. O valor médio da dívida por pessoa é de R$ 6.598,13.
Especialistas apontam que a alta dos juros — com a Selic em 14,75% e o rotativo do cartão chegando a 435,9% ao ano —, a maior oferta de crédito bancário e o avanço das plataformas de apostas virtuais (bets) são os principais motores do fenômeno. Conforme o levantamento, as principais fontes de dívida são: cartão de crédito (84,9%), crediários do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%).
Para o governo Lula, o endividamento tornou-se um entrave político. A avaliação do Planalto é que o peso das contas mascara indicadores positivos, como a baixa inflação e o crescimento do PIB. Em resposta, o governo prepara o lançamento do Desenrola 2, que deve incluir o uso de até R$ 7 bilhões do FGTS para quitação de débitos e mecanismos para conter o uso excessivo de bets.
Relatos de cidadãos de diversas regiões mostram que a dívida gera exclusão e sofrimento. Especialistas explicam o ciclo. A renda apertada faz com que as pessoas cortem gastos com serviços, o que reduz o faturamento de profissionais autônomos que, por sua vez, acabam inadimplentes. Isso sem nem levar em conta o problema generalizado nos sites de apostas.











