O papa Leão XIV defendeu nesta semana a dignidade da vida humana em todas as suas fases. Durante encontro com membros da Fundação Jérôme Lejeune, realizado por ocasião do centenário de nascimento de seu fundador, o pontífice alertou para os riscos de uma medicina subordinada apenas a critérios técnicos ou utilitários, afirmando que a prática “nunca poderá se tornar serva da morte programada”.
Em seu discurso, o papa destacou que médicos não devem decidir sobre a vida de embriões ou idosos com base em algoritmos de laboratório e reforçou que o valor da pessoa não depende de sua produção. Ele também recordou a trajetória do geneticista francês Jérôme Lejeune, descobridor da trissomia do cromossomo 21 (causa da síndrome de Down) em 1958. Lejeune teve suas virtudes heroicas reconhecidas pelo papa Francisco em 2021, tornando-se venerável pela Igreja Católica.
Leão XIV apontou que, apesar do reconhecimento internacional, a descoberta de Lejeune acabou utilizada pela indústria do aborto para identificar nascituros com a síndrome, prática que o cientista rejeitou publicamente e classificou como “racismo cromossômico”. O pontífice elogiou a atuação do geneticista na Igreja, lembrando sua nomeação por são Paulo VI para a Pontifícia Academia das Ciências e sua proximidade com são João Paulo II na criação da Pontifícia Academia para a Vida.
A Fundação Jérôme Lejeune foi instituída na França em 1995, após a morte do cientista. Segundo dados de seu site oficial, a organização destina anualmente entre € 4 milhões (R$ 23,5 milhões) e € 5 milhões (R$ 147 milhões) para pesquisas. A instituição conta com um banco de dados de 20 mil amostras em Paris e mantém quatro centros médicos localizados em Paris, Nantes (França), Córdoba (Argentina) e Madri (Espanha), tendo atendido cerca de 13 mil pacientes na capital francesa.
Ao final do encontro, o papa agradeceu o trabalho global da fundação na pesquisa sobre deficiências intelectuais de origem genética e concedeu a bênção apostólica aos familiares e pacientes.











