O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), estuda a indicação de uma mulher para compor sua chapa. A articulação busca conter o desgaste político gerado por embates com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A equipe de campanha avalia que uma candidatura feminina na vice pode reduzir a rejeição do pré-candidato, suavizar sua imagem e ampliar a interlocução com as mulheres.
Entre os nomes cotados de parlamentares e aliadas, estão Bia Kicis (PL), Daniella Marques (Rep), Júlia Zanatta (PL), Simone Marquetto (PP) e Tereza Cristina (PP). Na última quinta-feira (02/07), Flávio Bolsonaro também citou como alternativas a deputada Clarissa Tércio (PP) e a vereadora Priscila Costa (PL).
Na semana passada o senador reuniu aliadas em Brasília para discutir o plano “Brasil Por Elas”, voltado a propostas para as mulheres, com lançamento previsto para o próximo dia 15 de julho. Das cotadas principais, apenas Tereza Cristina não compareceu.
Especialistas apontam que o voto feminino será decisivo. Segundo Céli Pinto, doutora em Ciência Política pela UFRGS, a pré-campanha tem focado no endurecimento de penas, como a castração química para estupradores, mas sem discutir as causas da violência. Ela aponta que a campanha terá de neutralizar os efeitos dos vídeos de Michelle e de declarações do influenciador Paulo Figueiredo de que mulheres “votam mal”. Maria Helena Weber, doutora em Comunicação pela UFRGS, acrescenta que as postagens de Michelle tornaram o voto feminino ainda mais central, exigindo de Flávio a construção de credibilidade por meio de projeto político e marketing.
A composição partidária também está em análise. A escolha de Bia Kicis ou Júlia Zanatta resultaria em chapa pura do PL. Simone Marquetto e Tereza Cristina pertencem ao PP, enquanto Daniella Marques integra o Republicanos, legenda inclinada a formalizar aliança com o pré-candidato.











