A parcela de brasileiros que associa a pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” quase dobrou em quatro anos, passando de 22% em 2022 para 40% em 2026. Os dados constam em levantamento do instituto de pesquisas Datafolha divulgado na última sexta-feira (03/07).
Apesar do crescimento, o percentual de entrevistados que atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais para a ascensão social permanece majoritário, embora tenha registrado queda de 76% para 58% no mesmo período. Outros 3% não souberam responder. O estudo faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica do Datafolha, que engloba temas como criminalidade, armas, migração, drogas e sindicatos.
A análise por faixa de renda familiar mostra variações na percepção. Entre os que recebem de 2 a 5 salários mínimos, 43% relacionam a pobreza à preguiça e 55% apontam a falta de oportunidades. Já no grupo com renda superior a 10 salários mínimos, a ausência de oportunidades iguais atinge 63%, o maior percentual para essa resposta entre todas as faixas de renda analisadas.
O recorte por categorias profissionais indica que 56% dos empresários acreditam que a pobreza está ligada à falta de vontade de trabalhar, o maior índice entre os setores pesquisados. Em contrapartida, os funcionários públicos registram a menor proporção nessa resposta, com 28%.
A idade também influencia as respostas. Entre eleitores de 16 a 24 anos, 22% associam a pobreza à preguiça e 74% citam a falta de oportunidades. Na faixa com 60 anos ou mais, os índices configuram empate técnico: 49% atribuem à preguiça e 48% à falta de oportunidades.
O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.










