O frade franciscano Flávio Lorrane Clementino de Almeida participou do evento “Plenária Nacional do Povo de Deus pela Democracia”, realizado em Brasília, no qual pediu engajamento e votos pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. O episódio gerou questionamentos nas redes sociais sobre o suposto envolvimento de organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na estruturação do ato.
Em manifestação divulgada em vídeo após a plenária, frei Flávio afirmou que a organização do encontro partiu de leigos independentes ligados a movimentos sociais, desmentindo o envolvimento direto da CNBB. A declaração contou também com o compartilhamento de trecho da fala do vice-presidente Geraldo Alckmin, que esteve no evento incentivando o comparecimento do eleitorado às urnas.
Diante da repercussão, o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) emitiu nota oficial afirmando ser um organismo de comunhão sem vinculação partidária, que não indica candidatos e atua pautado na Doutrina Social da Igreja para estimular a consciência cidadã e a responsabilidade social dos fiéis.
A conduta de militância explícita adotada pelo religioso diverge de diretrizes da Igreja Católica. O Código de Direito Canônico (cânon 287, § 2) veda a participação ativa de clérigos em partidos políticos sem autorização eclesiástica explícita. Documentos recentes da CNBB e orientações do Regional Nordeste 1 da entidade reforçam que a atuação partidária cabe aos leigos, cabendo aos sacerdotes a formação de consciências e a preservação do papel pastoral, sem a utilização de espaços religiosos para fins eleitorais.





