Brasil: 26% da população vive sob domínio de organizações criminosas

Brasil: 26% da população vive sob domínio de organizações criminosas

Brasil: 26% da população vive sob domínio de organizações criminosas

O Brasil concentra a maior população vivendo sob regras impostas por facções criminosas na América Latina. Estudo publicado pela Cambridge University Press, com base em dados da pesquisa Latinobarómetro de 2020, aponta que entre 50,6 e 61,6 milhões de brasileiros — cerca de 26% da população — estão submetidos à chamada “governança criminal”, quando organizações controlam comunidades e impõem normas que afetam desde a vida social até processos eleitorais.

Na média regional, 14% da população vive em áreas dominadas por facções. Depois do Brasil, aparecem Costa Rica (13%), Honduras (11%), Equador (11%), Colômbia (9%), El Salvador (9%), Panamá (9%) e México (9%).

O levantamento destaca que, em alguns contextos, a atuação das facções pode reduzir índices de homicídios, mas também provocar explosões de violência. Em São Paulo, a queda nas mortes violentas nos anos 2000 foi associada ao fortalecimento do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os pesquisadores também rebatem a ideia de que essas organizações prosperam apenas onde o Estado é ausente. “As facções surgiram no Rio e em São Paulo, regiões de forte presença estatal. A facção mais poderosa, o PCC, nasceu no estado mais rico do país”, afirma o estudo.

Segundo os autores, os números podem estar subestimados, já que há dificuldade de acesso a áreas dominadas e a metodologia considera apenas atividades centrais da governança criminal. Ainda assim, o levantamento indica que o Brasil se consolidou como epicentro da atuação de facções na América Latina, com impacto direto sobre a vida de dezenas de milhões de cidadãos.

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