O governo federal fez ao menos 57 pedidos de investigação sobre supostos crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os pedidos incluem episódios em que pessoas gritaram “Lula ladrão” nas ruas e o caso de um militar que batizou uma rede de wi-fi com a mesma frase. Os inquéritos ainda miraram duas montagens publicadas em redes sociais mostrando o petista sendo chamado de “Zé Pilantra” e vestido como Zé Pilintra, importante entidade em religiões de matriz africana. A título de comparação, nos quatro anos de governo Jair Bolsonaro (PL), o Ministério da Justiça pediu 16 investigações de possíveis crimes contra a honra do presidente.
Uma delas diz respeito a uma afirmação do influenciador Pablo Marçal de que Lula “desviou mais de R$ 1 trilhão”. A Procuradoria da República disse que o então candidato a prefeito de São Paulo fez críticas políticas, o que seria diferente de “caluniar, difamar ou ferir a honra alheia”. Os casos de maior repercussão foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional, como o processo contra um professor que instalou dois outdoors em Palmas (TO) dizendo que o ex-presidente “não vale um pequi roído”
Em outubro de 2025, a Justiça Federal arquivou um inquérito policial contra seis integrantes do MBL que gravaram vídeos e gritaram “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão” durante evento com o presidente em Osasco (SP). Nesse caso, o Ministério Público Federal (MPF) disse que o contexto de “profundo acirramento” político do país exige observar a “proporcionalidade das medidas”.
No fim de novembro, o MPF arquivou o inquérito policial, afirmando que o presidente da República está sujeito a maior exposição e ao escrutínio da sociedade, “devendo ter maior tolerância às críticas e às cobranças”. Uma parte das apurações sobre ofensas ao presidente já foi arquivada.










