Reportagem publicada pelo jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) nesta semana detalha a ascensão do Primeiro Comando da Capital (PCC), classificando a facção brasileira como uma “potência global” no tráfico de cocaína. O texto descreve o grupo como uma “multinacional do crime”, estruturada sob um modelo empresarial que hoje exerce influência direta no mercado de entorpecentes na Europa e nos Estados Unidos.
Fundado em 1993 dentro do sistema prisional brasileiro, o PCC é diferenciado pela publicação de outros cartéis, como os mexicanos e colombianos, devido ao seu perfil discreto e foco em lucratividade em vez de notoriedade. A reportagem destaca que a facção evita a violência gratuita para não atrair atenção policial e mediática, operando por meio de departamentos especializados em finanças, logística e expansão territorial.
De acordo com o WSJ, o grupo já possui presença em 30 países. Autoridades dos Estados Unidos identificaram membros da facção em estados como Flórida, Nova York e Nova Jersey. No entanto, é na Europa que o PCC consolidou seu mercado mais lucrativo. Através de parcerias com a máfia italiana, a organização garante a distribuição em larga escala no continente, onde a cocaína chega a ser comercializada por um valor dez vezes superior ao negociado na fronteira com a Bolívia.
O esquema logístico utiliza países africanos, como Guiné-Bissau e Cabo Verde, como entrepostos de armazenamento. Portugal é apontado como uma das principais portas de entrada na Europa, onde o grupo estabeleceu operações estruturadas de logística e lavagem de dinheiro. O jornal menciona ainda que o PCC infiltra recursos em setores legais, como redes de hotelaria, pesca e postos de combustíveis, para ocultar a origem do capital.









