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O Silêncio ensurdecedor sobre fumaça na Amazônia

O Silêncio ensurdecedor sobre fumaça na Amazônia

Nas primeiras horas da madrugada de sábado (04/11), a poluição da fumaça que persiste em Manaus se tornou insuportável, invadindo as casas e tirando o sono dos moradores. Desde meados de setembro a população manauara sofre com os graves impactos sobre a saúde pública causados pela fumaça tóxica, potencializada pelas queimadas criminosas em todo o Amazonas. 

A qualidade do ar chegou a ser considerada perigosa para a saúde humana na parte da manhã quando marcou 440 ug/m3,  segundo o site do projeto Índice de Qualidade do Ar Mundial. O céu se tornou cinza. Nas ruas da cidade, as pessoas sentiram calor, dificuldade para respirar e dores na garganta e nos olhos. 

Eu acordo de madrugada para vir para cá trabalhar e é muito ruim, porque você já acorda inalando a fumaça que prejudica principalmente os idosos e as crianças”, disse o pintor Francisco Silva, 44 anos, em entrevista à Amazônia Real. Francisco estava esperando ônibus em um ponto no bairro da Ponta Negra, zona oeste de Manaus, e relatou que tem filhos pequenos que não podem sair de casa porque ficam tossindo e “sentindo o cheiro forte dessa fumaça”.

O pintor saiu de casa às 4h30 da manhã para trabalhar, quando já estava enfumaçado. “Meus filhos (de 10 e de 9 anos) estão com tosse, garganta inflamada e essa noite sentiram tudo isso. Um deles foi para o Pronto-Socorro da Criança com os sintomas de doenças causadas pela fumaça”, afirmou.

A primeira onda intensa de fumaça que sufoca a cidade de Manaus aconteceu no começo de outubro e adoece a população não só com doenças respiratórias, mas também com problemas nos olhos, na pele e até com doenças cardiovasculares e neurológicas, especialmente em grupos etários mais vulneráveis, como crianças e idosos. De acordo com o epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, os efeitos da fumaça são associados a problemas respiratórios como obstrução nasal, coriza, sangramento nasal, tosse seca, rouquidão, laringite, rinite, falta de ar e cansaço.  

Mesmo após o renomado DJ Alok usar suas redes sociais para reclamar do “silêncio ensurdecedor”, sem contar as “críticas seletivas” e a “hipocrisia” em torno da fumaça da Amazônia, decorrente de incêndios que se multiplicam na floresta, o assunto continua a ser ignorado pela chamada “grande mídia” e por integrantes da classe artística. Silêncio que difere muito da excessiva gritaria que acontecia no mandato do ex-presidente Bolsonaro em situações bem menos preocupantes. Desde o início da crise do ar em Manaus, Bolsonaro chegou a ser acusado pela Ministra Marina Silva como sendo o responsável pelos problemas na capital amazonense, ainda que não seja presidente há 11 meses.

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