Opinião: Itaperuna, um território preparado para participar da economia do Sudeste

Itaperuna

Por Anderson SouzaSubsecretário de Industria e Comércio de Itaperuna

O desenvolvimento de um território nem sempre nasce de um único grande empreendimento. Muitas vezes, ele surge da convergência de localização, infraestrutura, vocação econômica, pessoas e oportunidades. É nesse contexto que precisamos olhar para Itaperuna. O município, localizado no Noroeste Fluminense e estrategicamente conectado ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, possui atributos que podem ampliar sua participação na atração de investimentos e na construção de novas cadeias produtivas.

Embora a cidade ainda não possua um condomínio industrial público estruturado, não significa ausência de vocação. Seu ordenamento territorial contempla áreas destinadas ao desenvolvimento econômico, incluindo a Zona de Desenvolvimento Industrial (ZDI) e a Zona Especial de Desenvolvimento Econômico e Institucional (ZDEI). A Lei Complementar nº 14/2024 também atualizou o zoneamento municipal, incorporando novos eixos especiais nos distritos e áreas rurais.

A infraestrutura de transporte disponível na cidade, tanto a BR-356, que conecta Itaperuna a importantes mercados do Sudeste e reforça sua posição como polo regional, quanto o Aeroporto Regional de Itaperuna, em fase final de requalificação, são grandes ativos estratégicos. O aeroporto em particular, mais do que transporte de passageiros, significará conectividade para negócios, investidores, equipes técnicas e serviços especializados. Existe ainda uma oportunidade ainda maior – a conexão e proximidade estratégica com o Porto do Açu e a nova economia de baixo carbono.

Também merece atenção o recente fortalecimento da infraestrutura energética regional que estão sendo realizados pela ENEL em Santo Antônio de Pádua. Embora não representem uma solução específica para Itaperuna, contribuirão para melhorar as condições estruturais do Noroeste Fluminense.

A cidade portanto possui espaço para desenvolvimento logístico, agroindustrial, de biomassa, de serviços especializados, de tecnologia, de qualificação profissional e novas cadeias industriais que podem aproximar o interior de uma grande transformação econômica. O desafio, portanto, não é apenas perguntar “que indústria podemos trazer para Itaperuna?” e sim saber “que investimentos fazem sentido para Itaperuna e quais condições precisamos construir para recebê-los?

O desenvolvimento regional acontece quando território, infraestrutura, conhecimento, pessoas e oportunidades deixam de atuar isoladamente e passam a fazer parte de uma estratégia comum.
Itaperuna tem território, tem localização, tem gente e tem vocação. Agora precisamos conectar esses ativos às oportunidades que estão surgindo.

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