Saúde: Presença de resíduos farmacológicos em redes de abastecimento de água geram alerta

O atual processo de sanitização dos sistemas de abastecimento de água no Brasil — composto por sulfato de alumínio, cal e cloro — não apresenta eficácia na remoção dos resíduos farmacológicos. Os resquícios de medicamentos chegam ao meio ambiente por meio de excreção humana (urina e fezes) ou pelo descarte irregular em pias e vasos sanitários.

A remoção dessas substâncias ainda é incipiente e exige processos avançados e de alto custo. O Brasil possui a sétima maior indústria farmacêutica do mundo, gerando um descarte anual estimado em cerca de 20 mil toneladas de resíduos químicos.

A questão do descarte irregular tornou-se sensível no âmbito de fármacos utilizados em procedimentos abortivos. Nos Estados Unidos, o avanço no uso da pílula mifepristona motivou 14 procuradores-gerais estaduais a oficiarem a Agência de Proteção Ambiental (EPA) para monitorar a contaminação da água. Os procuradores questionam a indicação da Food and Drug Administration (FDA), que classifica o impacto ambiental do medicamento como mínimo, apontando que cerca de 40 toneladas de subprodutos médicos e tecidos contaminados são despejadas anualmente em rios e lagos do país.

No Brasil, vigora o uso do misoprostol, medicamento similar de controle especial. Recentes tentativas da liberação deste fármaco para venda em farmácias e “teleaborto” levantaram dúvidas sobre o impacto do descarte deste medicamento nos sistemas hídricos do país. Além disso, existe o impacto já existente ao se considerar o descarte dos resíduos provenientes do comércio ilícito de medicamentos abortivos e outros fármacos. Especialistas tem levantado questionamentos de possíveis efeitos colaterais na população em geral provocada pela sobrecarga de farmacológicos nas redes de abastecimento de água.

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