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Commodities lideram exportação em 25 das 27 unidades da Federação.

Commodities lideram exportação em 25 das 27 unidades da Federação.

O Brasil fechou 2023 com o maior saldo da balança comercial da história, de R$ 98,8 bilhões, amplamente comemorado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A conquista, entretanto, esconde um recorde nas exportações de matérias-primas e produtos primários de baixo valor agregado. Em 25 das 27 unidades da Federação, os produtos mais exportados foram commodities.

As mercadorias agrícolas lideraram com folga. Somadas, as 5 principais commodities exportadas (soja, óleo bruto, minério de ferro, açúcar e milho) respondem por 46,6% de tudo o que o Brasil vende para o exterior.

Campeã absoluta das exportações nacionais, a soja foi o principal item vendido pelo exterior em 11 unidades da Federação. O grão respondeu por 16% de todo o valor comercializado pelo Brasil, com R$ 53,2 bilhões em vendas e 101,8 milhões de toneladas exportadas. Para além da pujança do produto nos Estados do Centro-Oeste, a soja também é líder em partes do Sul, Norte e Nordeste.

Na lista dos produtos mais exportados pelo Estados há ainda outras commodities agrícolas, como açúcar e carne de aves; e extrativistas, como petróleo bruto, minério de ferro e madeira. O levantamento foi feito a partir dos dados fechados do comércio exterior de 2023, divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Também são considerados commodities os óleos combustíveis, precificados pelo mercado internacional. Esses produtos lideram as exportações na Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Esse também é o caso do aço, líder em vendas para o exterior no Ceará e no Espírito Santo.

Há duas exceções. Uma delas é a Paraíba, que tem em 1º lugar a exportação de calçados. Mesmo não se enquadrando como commodity, trata-se de um produto de baixa tecnologia agregada e que somou apenas US$ 64,5 milhões em vendas. No Estado, os calçados representaram 34% das exportações, superando por uma mínima margem a venda de açúcar (33%).

No Amazonas, impulsionado pela Zona Franca de Manaus, a venda de itens classificados como “outros produtos comestíveis e preparações” somou 22% das transações. A nomenclatura abrange a fabricação de massas, biscoitos, chocolates, pratos prontos e molhos como ketchup e mostarda. Essas exportações totalizaram US$ 199 milhões, menos de 0,1% do total nacional.

Ao exportar basicamente commodity, o Brasil assim fica refém dos preços mundiais e da variável demanda externa. Por outro lado, a dependência da importação de vários produtos industrializados carrega o risco de possíveis rupturas na cadeia global, uma vez que o país não desenvolveu a produção interna de itens essenciais.

O Brasil não produzir adubos e fertilizantes no volume que o agro necessita é um verdadeiro enigma. Temos condições para isso. A necessidade ficou totalmente exposta depois da pandemia com a guerra da Rússia com a Ucrânia, que eram nossos principais fornecedores. Ficamos expostos por não termos nos preocupado em desenvolver isso localmente”, diz Carla Beni, economista e professora de MBA da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

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