Um grupo com mais de 40 jovens de Tampa, na Flórida (EUA), celebrou a formatura da High School, equivalente ao ensino médio brasileiro, sob o modelo de homeschooling (ensino domiciliar). Entre os formandos de 16 de maio estava a filha de 18 anos da brasileira Rafaela Burress, residente no país há 28 anos. A decisão pelo método domiciliar ocorreu há seis anos devido às necessidades específicas da jovem, que tem autismo nível 1, e de seu irmão de 13 anos, diagnosticado com TDAH.
Diferente do cenário brasileiro, onde um casal de Araucária (PR) foi multado em R$ 1,4 milhão e teve bens bloqueados pela Justiça por praticar o modelo, a Flórida autoriza o homeschooling desde 1985. O governo estadual oferece bolsas universais que beneficiam inclusive aos cerca de 400 mil brasileiros residentes no estado. O programa concede créditos anuais entre US$ 8 mil e US$ 10 mil por criança, depositados bimestralmente, que podem ser utilizados para custear materiais, eletrônicos, tutores, terapias ou escolas particulares.
Reforçado por uma diretriz de 2023, o programa é apoiado pelas organizações Step Up For Students e A.A.A. Scholarship Foundation. A legislação local não exige dos pais uma formação específica ou currículo padronizado, mas demanda a manutenção de um portfólio de registros e a realização de uma avaliação acadêmica anual para envio ao distrito escolar.
No ano letivo de 2024-2025, a Flórida registrou 114.370 famílias e 152.871 alunos no ensino domiciliar, representando 6,99% dos estudantes locais, segundo o National Home Education Research Institute (NHERI). Nos Estados Unidos, o total chega a 3,408 milhões de alunos (6,262%). Pesquisa do centro Pew de 2025 aponta que os principais motivos para a adesão ao modelo incluem preocupação com segurança e bullying (83%), instrução moral (75%), convívio familiar (72%), insatisfação acadêmica (72%) e motivações religiosas (53%).










