O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma mudança de narrativa em relação à alta dos preços nos supermercados. Em entrevista à TV Record Bahia, o petista atribuiu a pressão sobre os alimentos a fatores externos, mencionando a necessidade de impedir que “a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo”.
O posicionamento contrasta com declarações dadas por ele em março de 2022, quando ainda era candidato. Na ocasião, em entrevista à Rádio Espinharas (PB), Lula criticou a gestão de Jair Bolsonaro por justificar a inflação através da pandemia e da guerra na Ucrânia. “Não venha jogar a culpa na guerra e na pandemia”, afirmou à época, atribuindo a alta exclusivamente à condução econômica do então governo.
Um estudo da ONG ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, revela que o custo da alimentação no Brasil subiu 302,6% entre junho de 2006 e dezembro de 2025. O índice é significativamente superior à inflação geral (IPCA) do mesmo período, que foi de 186,6%.
Embora o grupo de alimentação e bebidas tenha desacelerado de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025 — com seis meses de deflação no domicílio —, o alívio não deve persistir em 2026. Economistas projetam que a inflação de alimentos no domicílio salte para 4,5% este ano, pressionada por itens como carnes, leite, frutas e óleos.
A análise mostra que o brasileiro está pagando mais pelo mesmo volume de comida. Desde 2006, o poder de compra para frutas recuou 31%, enquanto para hortaliças e verduras a queda foi de 26,6%. Em contrapartida, produtos ultraprocessados tornaram-se comparativamente mais acessíveis, alterando o perfil do consumo nacional diante da persistência dos preços elevados nas gôndolas.










