O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, determinou a desapropriação do terreno onde está instalada a refinaria de petróleo Refit, na zona norte da capital fluminense. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim. Liderada pelo empresário Ricardo Magro, a empresa é classificada pela Receita Federal como a maior devedora do país, acumulando R$ 55 bilhões em débitos com a União, Estados e municípios.
O governo fluminense não revelou o valor financeiro da desapropriação, mas a administração estadual não deve efetuar pagamento de indenização a Magro. O montante será descontado da dívida que a refinaria possui com o Estado do Rio de Janeiro, que soma R$ 14,3 bilhões somente em ICMS.
A Refit, também conhecida como refinaria de Manguinhos, foi alvo de operações policiais e chegou a ser interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em setembro e outubro de 2025. Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou o nome de Magro nominalmente pela primeira vez, classificando-o como “o maior devedor do dinheiro público nesse país”. Lula informou ter solicitado apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para prender o empresário, que está foragido no território norte-americano após ser alvo de uma operação da Polícia Federal em 15 de maio.
A Refit manifestou-se por meio de nota, informando que os débitos tributários estão em discussão no âmbito do Poder Judiciário. A empresa declarou ainda que as ações executadas prejudicam a concorrência no mercado de combustíveis e favorecem a atuação de um cartel.
O histórico do Grupo Refit inclui investigações iniciadas em 2010 sobre a máfia dos combustíveis por supostas manobras fiscais na importação de gasolina. Em 2025, a empresa foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga o fornecimento de combustíveis para distribuidoras ligadas à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). No mês de novembro do mesmo ano, a Operação Poço Lobato apurou suspeitas de sonegação fiscal, fraude estruturada e ocultação de patrimônio, estimando um prejuízo superior a R$ 26 bilhões aos cofres públicos. No ano de 2026, os desdobramentos alcançaram acusações de envolvimento do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do senador Ciro Nogueira (PP), que declararam inocência.










