Denúncias enviadas aos órgãos de fiscalização apontam possíveis irregularidades e assédio eleitoral em unidades da rede pública da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro. A pressão eleitoral teria ocorrido em centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e Conselhos Tutelares.
Os relatos envolvem a convocação de funcionários para atos de campanha, desvio de funções, demissões de profissionais que teriam recusado apoio político, uso indevido de dados de cidadãos atendidos e oferta de programas sociais para a captação de votos. Depoimentos de trabalhadores indicam pressão para engajamento eleitoral sob ameaça de perda de vínculos profissionais.
O caso é objeto de apuração pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A investigação do MPRJ analisa a gestão de pessoal e a fiscalização do Termo de Colaboração firmado com o Instituto Dom Pixote — organização responsável pelo suporte administrativo e técnico das unidades —, avaliando a rotatividade de funcionários e queixas de ingerência política, como o Conselho Tutelar 02 (Zona Sul) e equipes da Ilha do Governador.
As acusações citam a deputada estadual Martha Rocha (PDT), ex-secretária municipal de Assistência Social do município. Ela deixou o cargo no início do ano para concorrer a uma vaga de deputada federal. Em nota, a deputada declarou desconhecer os fatos e a utilização de estruturas públicas na campanha, repudiou qualquer forma de assédio.
A Secretaria Municipal de Assistência Social informou ter divulgado orientações para prevenir o assédio eleitoral e coibir o uso de recursos públicos em atividades partidárias, reafirmando o direito de participação política voluntária fora do horário de trabalho. A Prefeitura do Rio de Janeiro confirmou que foi intimada na ação do MPT.





