Um levantamento realizado pelo instituto Ipsos-Ipec, em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), aponta que um em cada cinco brasileiros (22%) já foi abordado para vender seu voto em alguma eleição. Os dados integram a campanha “Voto não tem preço, tem consequências”. O estudo acende um alerta sobre a percepção de impunidade e o desconhecimento dos canais de denúncia: 62% da população afirma não saber como denunciar crimes eleitorais, e 52% relatam não se sentir seguros para fazê-lo.
Embora o dinheiro seja a forma mais reconhecida de corrupção, a socióloga Adelia Franceschini, consultora da pesquisa, destaca que o crime assume contornos de “favor político” em muitas regiões. As formas mais comuns são a oferta de consultas médicas, facilitação de benefícios sociais, cestas básicas e até festas ou churrascos. Também existe uma percepção distorcida desse tipo de crime, onde cerca de 70% dos entrevistados não identificam essas trocas de favores como compra de voto, tratando-as apenas como uma gentileza do candidato.
A incidência do crime varia drasticamente conforme a região e o cargo em disputa. A região Nordeste é a mais afetada, com 32% dos entrevistados relatando ofertas, contra 18% no Sudeste. A esfera municipal lidera as iniciativas criminosas, com vereadores liderando as abordagens (59%), seguidos por prefeitos (43%). Segundo o MCCE, quanto menor a cidade, maior a dependência do eleitor de empregos e benefícios vinculados ao poder público.
A “captação ilícita de sufrágio” é crime previsto em lei e pode resultar em até quatro anos de prisão. Para combater a prática, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público disponibilizam canais como o Aplicativo Pardal e Órgãos Oficiais como delegacias, promotorias eleitorais e ouvidorias.










