O cenário político no Rio de Janeiro aponta para uma permanência prolongada do desembargador Ricardo Couto à frente do Palácio Guanabara. Diante do avanço do calendário e o impasse jurídico em Brasília, lideranças de diferentes espectros políticos já admitem a possibilidade de Couto governar o estado até o encerramento do mandato, em 31 de dezembro. A principal razão para essa percepção é o afunilamento do prazo para a realização de uma eleição tampão (suplementar), uma vez que as eleições gerais já ocorrem em outubro.
O processo que define o futuro da sucessão fluminense está sob pedido de vista do ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte ainda precisa decidir o modelo de sucessão, se seria uma eleição direta ou indireta realizada pelos deputados da ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
Dino aguarda esclarecimentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o julgamento que tornou Cláudio Castro inelegível. Na última semana, o Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou embargos de declaração pedindo que o TSE defina se houve, de fato, a cassação do diploma ou apenas a aplicação da inelegibilidade.
A renúncia de Castro, ocorrida na véspera de seu julgamento, é vista por analistas como uma tentativa de garantir que a Alerj — onde seu grupo mantém forte influência — escolha o sucessor. No entanto, o acórdão publicado pelo TSE não deixou claro o placar sobre a cassação do mandato, o que gerou a dúvida jurídica que trava o processo no STF. Enquanto o nó jurídico não é desatado, o Rio de Janeiro segue sob o comando do Judiciário, transformando a transição temporária de Ricardo Couto em uma solução que ganha contornos de definitividade para o ano de 2026.











